MAIS UM TRISTE EPISÓDIO NA HISTÓRIA DO
CRISTIANISMO
Quando
resolvi ler Os Demônios da Loucura, eu não sabia sobre o que se tratava o
livro. O titulo me chamou a atenção e eu já conhecia o autor, Aldous Huxley,
por outras obras que li, Admirável Mundo Novo, As Portas da Percepção e o Céu e
o Inferno.
Comecei
a ler e percebi que o livro conta uma história baseada em fatos reais. Fui
ficando cada vez mais envolvida e revoltada com a história. Desejei por
inúmeras vezes que o autor tivesse escrito o livro sob efeito de algum
alucinógeno e que tudo que eu estava lendo fosse apenas fruto da imaginação de
Huxley. Infelizmente era tudo verdade, na bibliografia consta toda a pesquisa
que ele fez para escrever o livro.
A
história se passa no interior da França em meados do século XVII. Período em
que o movimento contrarreforma cristã cometeu suas maiores barbáries. A todo
custo, a Igreja Católica queria retomar o controle e força que perdeu durante a
reforma protestante iniciada por Lutero no século anterior. Até aí não há
novidade. Existem várias histórias que relatam os acontecimentos desse período.
Demônios
da Loucura fala sobre um caso isolado, na cidade de Loudun. A possessão
demoníaca de 17 freiras dentro de um convento. A postura dos padres jesuítas,
exorcistas e aristocratas da cidade é nojenta. Corrupção, manipulação,
estupidez, vingança, ignorância, e todas as atrocidades que o ser humano é
capaz de cometer. É essa a atmosfera desse livro. Mais um episódio que suja a
história do Cristianismo. É um retrato do que se passava na França (e se
repetia pela Europa) em resposta à Reforma Protestante.
Se
eu gostei? Gostei muito! Sou fã de Aldous Huxley. A mente dele é brilhante. Ele
é capaz de filosofar durante um capítulo inteiro, muitas vezes sem nem mesmo expressar
sua opinião, apenas nos fazendo parar para pensar e aflorar nosso senso
crítico.
“Muito
mais perigosos que os crimes de paixão são os crimes de idealismo. Os que são
instigados, alimentados e moralizados pelas palavras sagradas. Tais crimes são planejados
quando o pulso está normal e são cometidos a sangue-frio e com grande
perseverança durante um longo período de anos. No passado, as palavras que
ditavam os crimes do idealismo eram predominantemente religiosas; agora são
predominantemente políticas.”
Trecho
do livro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe aqui sua opinião