quinta-feira, 27 de julho de 2017

Extraordinário - R.J. Palacio



Uma Lição de Gentileza


Posso dizer sem medo de estar falando bobagem que esse é um dos top 5 melhores livros que eu já li. É extraordinariamente encantador.
É impossível não amar o Auggie. Sua pureza e simplicidade torna a leitura cativante e envolvente. A história do livro é repleta de lições que devemos aprender e ensinar.
Uma das frases do livro que mais me marcou foi:
“Se tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil”.
A história fala basicamente de um garoto de 10 anos, o August Pullman ou Auggie, que nasceu com uma deformação fácil e isso fez com que o seu convívio social fosse bastante prejudicado. Somente agora ele começou a frequentar uma escola e conviver com outras crianças. Seu maior desafio é mostrar para todos que sua aparência não define quem ele é. Apesar de ter apenas 10 anos, ele tem uma maturidade muito acima do esperado para uma criança dessa idade. Ele entende perfeitamente qual é a sua condição e em momento algum assume o papel de “vítima das circunstâncias”. Ele também possui uma empatia fora do comum e sua compreensão com as situações desagradáveis e embaraçosas o tornam uma criança ainda mais encantadora.
O livro aborda também o ponto de vista de alguns de seus colegas e as impressões que eles têm ao seu respeito. É comovente acompanhar a construção das amizades que ele faz no colégio novo. São muitas aventuras, brincadeiras e diversas situações que nos fazem até esquecer que ele é um garoto com dificuldade de inserção. Sua personalidade é cativante e em pouco tempo alguns de seus colegas começam a perceber isso e deixar o preconceito de lado para serem amigos daquele garoto extraordinário.
Essa dificuldade para enfrentar o preconceito do que é diferente e incomum é retratada de uma maneira bem leve, mas com muita seriedade. Infelizmente essa é uma realidade que muitos enfrentam. Não necessariamente por ter uma deformação facial, mas, analisando de uma maneira mais ampla, trata-se da dificuldade que algumas pessoas encontram para inserirem-se e serem aceitas em um meio quando estão “fora dos padrões estabelecidos”.

Esse livro realmente me tocou de uma maneira que eu não esperava. Já tinha lido críticas a respeito e até criei uma certa expectativa. E posso dizer que ficou muito acima das expectativas que eu criei. Lindo e comovente! Super recomendo! Livro para todas as idades!

Fazendo Meu Filme 1, 2, 3 e 4 - Paula Pimenta


Fazendo Meu Filme

Quem disse que eu não tenho mais idade pra literatura infanto-juvenil?

Eu não gostei, eu AMEI. Foi muito fácil entrar na história porque boa parte se passa em Belo Horizonte e me fez voltar no tempo, na minha adolescência que foi bem como a realidade dos adolescentes do livro. Casa, colégio, clube, shopping, cinema... Os dilemas, conflitos e dramas típicos da adolescência me fizeram criar uma relação quase íntima com os personagens. Durante vários momentos foi como se eu estivesse lendo a minha própria história. Emocionei de verdade. Daquelas histórias que tocam o coração. Eu li os quatro livros de uma vez. Os dois primeiros eu li em um dia e ambos entraram para os meus dois seletos grupos dos “Livros que eu li em uma sentada” e “Livros que me fizeram chorar”. Sério, morri de chorar nos dois primeiros, muito bem escritos, de uma sensibilidade fora do comum. No terceiro e no quarto eu já estava tão envolvida com a história e com os personagens que me despertou vários sentimentos. Em muitos momentos senti raiva da Fani e tive vontade de entrar no livro e dar uma sacolejada nela. Queria ter tido na idade dela a maturidade que tenho hoje. Mas os tropeços fazem parte do processo. Decepções, mal entendidos, inseguranças... quem nunca? Mas, o mais importante de tudo, foi como o livro me fez repensar muito sobre o meu atual conceito sobre o Amor. Foi como uma terapia de regressão. Voltar na minha adolescência e refazer todo o meu caminho até chegar onde me encontro. O que se perdeu? O que fez que a Daphne adolescente, que acreditava no amor e em finais felizes se transformar na Daphne adulta, cínica que há anos não se apaixona? Ninguém está imune ao sofrimento e à desilusão. Faz parte. É certo que o caminho para encontrar o amor é diferente para todos nós. Alguns encontram cedo, como a Fani e o Leo, outros demoram mais. Mas é certo também que, a partir do momento em que existe uma desistência na busca, a chance dele acontecer é quase nula.
Obrigada Paula Pimenta, você fez mais por mim em uma semana do que o meu psicanalista conseguiu fazer em anos de análise.

Estou com outros livros dela pra ler, mas acho que já posso me considerar fã. 

Demônios da Loucura - Aldous Huxley






MAIS UM TRISTE EPISÓDIO NA HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

Quando resolvi ler Os Demônios da Loucura, eu não sabia sobre o que se tratava o livro. O titulo me chamou a atenção e eu já conhecia o autor, Aldous Huxley, por outras obras que li, Admirável Mundo Novo, As Portas da Percepção e o Céu e o Inferno.
Comecei a ler e percebi que o livro conta uma história baseada em fatos reais. Fui ficando cada vez mais envolvida e revoltada com a história. Desejei por inúmeras vezes que o autor tivesse escrito o livro sob efeito de algum alucinógeno e que tudo que eu estava lendo fosse apenas fruto da imaginação de Huxley. Infelizmente era tudo verdade, na bibliografia consta toda a pesquisa que ele fez para escrever o livro.
A história se passa no interior da França em meados do século XVII. Período em que o movimento contrarreforma cristã cometeu suas maiores barbáries. A todo custo, a Igreja Católica queria retomar o controle e força que perdeu durante a reforma protestante iniciada por Lutero no século anterior. Até aí não há novidade. Existem várias histórias que relatam os acontecimentos desse período.
Demônios da Loucura fala sobre um caso isolado, na cidade de Loudun. A possessão demoníaca de 17 freiras dentro de um convento. A postura dos padres jesuítas, exorcistas e aristocratas da cidade é nojenta. Corrupção, manipulação, estupidez, vingança, ignorância, e todas as atrocidades que o ser humano é capaz de cometer. É essa a atmosfera desse livro. Mais um episódio que suja a história do Cristianismo. É um retrato do que se passava na França (e se repetia pela Europa) em resposta à Reforma Protestante.
Se eu gostei? Gostei muito! Sou fã de Aldous Huxley. A mente dele é brilhante. Ele é capaz de filosofar durante um capítulo inteiro, muitas vezes sem nem mesmo expressar sua opinião, apenas nos fazendo parar para pensar e aflorar nosso senso crítico.
“Muito mais perigosos que os crimes de paixão são os crimes de idealismo. Os que são instigados, alimentados e moralizados pelas palavras sagradas. Tais crimes são planejados quando o pulso está normal e são cometidos a sangue-frio e com grande perseverança durante um longo período de anos. No passado, as palavras que ditavam os crimes do idealismo eram predominantemente religiosas; agora são predominantemente políticas.”
Trecho do livro.